Viúvas dos mares


 

 


Atraída pelas florinhas, o olhar veio-me a cair sobre a «Tragédia do Mar»: «PARA O AUGUSTO GOMES», Armando Alves.

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Este contínuo amor

Vem levemente, como verso

Como asa, como pólen dos pinhais

Carrega o sonho do regresso

O derradeiro abraço no cais

 

Vestida de negro dos lutos

Cor das viúvas dos mares

Inventa horizontes arados

No silêncio dos luares

 

Entre os braços da Cantareira

Os olhos pairam naufragando

O trovão; nas mãos a candeia

As vagas que vão murchando

 

Não faltam trevas nos olhos

Acorda o horizonte a chorar

O barco que vem mais perto

Na quentura de um olhar.

 

Eugénia


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